24 de mar de 2010

Caso Nardoni: 3º dia de Julgamento

24 de março de 2010 - 3º dia

10h16 - Com mais de uma hora de hora de atraso (previsto para às 9h), começa o 3º dia de julgamento do casal Nardoni.

10h20 - Início do depoimento da perita Rosangela, que foi a responsável por elaborar os laudos sobre as causas da morte da Isabella.

Perita: a menina foi ferida antes de entrar no apartamento. o sangue encontrado no apto é de Isabella, bem como o sangue encontrado no carro tem o mesmo perfil do de Isabella.

A vítima foi carregada, e teria gotejado sangue durante o trajeto.

É inequivoco que a tesoura encontrada foi usada para cortar a tela de proteção.

Todos os locais onde identificaram sangue com uso do Bluestar, foram confirmados pelo uso do Hexagon, que reage somente ao sangue humano.

Sou a única capacitada p/ os testes com o reagente ‘blue star’ no estado de São Paulo. Sou eu quem ministro cursos sobre como usá-lo.

Cembranelli questiona se o fabricante dos reagentes passam instruções, e a mesma responde que sempre vem profissionais do exterior para dar o treinamento.

O promotor pergunta então se há na equipe da defesa alguém que possua esse treinamento o que ela prontamente responde que não, nenhum perito da tribuna da defesa possui treinamento para tal.

Ela acrescenta que o produto não é encontrado facilmente, sendo o mesmo cancerígeno e perigoso de ser manipulado.

Ela demonstra na maquete os locais aonde foram encontrados sangue , sendo eles próximo da porta, corredor próximo à mesa de jantar, próximo sofá em maior quantidade, 2 a 3 no corredor para os quartos, no dormitório dos irmãos.

As gotas não estavam íntegras, diante disso foi aplicado o reagente. O desenho das manchas indicam uma sequência e direção em que as gotas foram caindo. Foi verificado que houve tentativa de remoção.

Cembranelli questiona sobre as manchas de sangue encontradas no corredor do apto:

Deram positivas para sangue? SIM

Eram humanos? SIM

O DNA indicava que o sangue era de Isabella?: SIM

Questionada pelo promotor sobre o carro , ela afirma que as manchas não eram visíveis a olho nu por causa da cor do carpete e estofado do veiculo, dessa forma foi utilizado o Blue Star + Hexagon .

Foram detectadas três manchas no banco parte posterior do motorista, no assoalho e na lateral esquerda da cadeirinha do bebê.O DNA foi positivo para Isabella .

As gotas do corredor tinham um suporte de no mínimo 1,25m portanto inviabiliza qualquer possibilidade de terem caído da vítima, estando ela de pé ou caminhando.

Ela atesta que as duas entradas do prédio necessitavam de acionamento para abertura pelo porteiro e que os muros que circundavam o London eram altos e com altura de 2 a 4 metros.

Foi encontrado no apartamento ao lado, tintas e uma camiseta com mancha de sangue antiga e foi levado e confirmado: sangue, sangue humano e antigo. Mas não há relação com o caso Nardoni.

A perita Rosângela descreve a cena que encontrou: os móveis totalmente alinhados no meio de uma bagunça, roupas sujas espalhadas, uma fralda no balde em processo de lavagem, absorvente interno usado, espalhado no meio de brinquedos.

No exame da fralda , haviam manchas mescladas e com o hexagon indicou que poderia ser sangue. A mesma foi encaminhada para o núcleo de biologia e química para exames complementares.

Referente a camiseta de Alexandre, a mesma tinha marcas impressas, inclusive os losangos, marcas essas que eram visíveis a olho nu. Foi utilizada uma outra camiseta igual a de Alexandre e a tela da simulação tinha exatamente as mesmas medidas da original e foram totalmente compatíveis com as marcas da camiseta.

A perita demonstrou em imagens no telão, as marcas que existiam na camiseta e explica que somente com as duas mãos para fora e com peso correspondente ao de Isabella ficariam daquela forma, jamais seriam as mesmas, se ele tivesse apenas olhado pela janela como relatado pelo réu.

Segundo a perita, se no dia do crime a face de Alexandre fosse observada atentamente, as marcas seriam vistas.

A perita afirmou que as marcas presentes na camiseta do réu Nardoni só poderiam ter sido produzidas pelo ato de carregar um peso de 25 kg até a janela, se debruçar na grade de proteção e atirá-lo.

Para chegar a esta conclusão sobre a marca na camiseta, a mesma tela do apartamento foi levada para o laboratório, instalada em uma moldura da mesma altura e dimensões que a janela e os testes foram realizados com um homem com o mesmo porte físico de Alexandre Nardoni.

O padrão de marcas iguais só apareceram no quarto teste feito, ou seja, no teste em que o modelo arremessa o peso de 25 kg, apenas com os dois braços para fora do furo da rede. As marcas da tela estão do lado externo das mangas da camiseta.

Segundo a perita criminal, a principal prova de que foi Alexandre Nardoni que jogou a filha pela janela é a marca da rede na camiseta dele. "Foi o Alexandre que defenestrou a vítima. Foi ele", afirmou.

Pausa para o almoço.

No retorno do almoço, Rosa de Oliveira Cunha (avó materna) recebeu muitas palmas e ouviu palavras de apoio como "Calma! Eles serão condenados" e "Justiça, Justiça, Justiça!"

Dr.Podval (advogado de defesa dos Nardoni) foi muito vaiado pelos manifestantes após o almoço e chegou a ser agredido com o chute no retorno ao Fórum de Santana.

O julgamento é retomado com a sequência do depoimento da perita Rosângela Monteiro. Agora ela responde as perguntas feitas pela defesa.

As camisetas analisadas eram de Alexandre? Como poderiam ter certeza? Sim. Temho certeza porque foram entregues pelos próprios advogados do casal.

O sangue da janela foi recolhido com gase. Deu positivo pra sangue?
Sim, deu positivo pra sangue, mas não se pode afirmar se é humano.

Se o ferimento da testa pode ter sido feito com chave? Sim.

Em uma quina? Não. Pela morfologia do ferimento, não.

Foi feito exame no gramado no mesmo dia?
No dia seguinte

Hall de entrada, com luzes forenses? Sim, e também Bluestar.

Como vc chegou a conclusão que os moradores não tinham higiene?
Pela gordura dos móveis, que eram novos, absorvente e pedaços de papel higiênico no meio dos brinquedos das crianças.

Por que o hexagon não constava no primeiro laudo?
Na verdade não é que não tenha sido usado, não tinha sido especificado que ele foi usado, por isto o segundo laudo veio mais detalhado.

O Hexagon não é comprado pela polícia, como a Sra fez para obter o Hexagon?
Como funcionária pública não posso contar apenas com os recursos da Polícia. Pode-se constatar que vários peritos precisam obter Hexagon pra fazer um trabalho bem feito. Consigo entre os fabricantes.

Consta no laudo que na calça legging de Isabella havia sangue na perna direita. Como explicar este gotejamento, se o corte foi do lado esquerdo da testa?
Pela mobilidade do corpo humano. A mancha tem uma característica interessante, são manchas sobrepostas, uma por cima da outra, gotejando no mesmo lugar o que indica que Isabella estava inconsciente neste momento.

Como concluiu que foi Alexandre que jogou Isabella no chão?
Ela entrou carregada por Alexandre. Foi ele que a defenestrou, pois a marca na camiseta é uma prova científica que não dá margem de erro que possa invalidá-la.

Defesa libera 5 testemunhas, libera Dra Renata e mantém a mãe de Isabella incomunicável.

Depoimento da perita Rosângela Monteiro termina. Agora, é interrogado o jornalista Rogério Pagnan, que entrevistou o pedreiro.

Em entrevista, o pedreiro disse ao jornalista que a obra ao lado do prédio London tinha sido arrombada na noite do crime. Em depoimento, Gabriel (o pedreiro) negou.

O depoimento do jornalista Rogério Pagnan durou cerca de 30 minutos. Na sequência, é ouvido o investigador Jair Stirbulov.

Todas as testemunhas de defesa são dispensadas por Roberto Podval, advogado dos Nardoni.

17h27 - A dispensa das testemunhas foi realizada porque a defesa teme que os depoimentos muito longos acabem por cansar e enfadar os jurados. Agora, deve começar a fase de interrogatório dos réus.

Dr.Podval pediu acareação entre Alexandre e Ana Oliveira, portanto, ela não foi liberada.

Após a decisão da defesa do casal Nardoni de dispensar todas as suas testemunhas restantes, o interrogatório dos réus, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que deveria começar no final da tarde desta quarta-feira, foi adiado para amanhã, quarto dia do júri do caso Isabella. A sessão de hoje foi suspensa por volta das 19h10.

19h36 - O juiz Maurício Fossen decidiu que a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira permanecerá isolada no fórum. A decisão foi tomada para assegurar o direito à "ampla defesa dos réus", garantida na legislação.

20h07 - Manter Ana Carolina isolada no fórum é uma tentativa desesperada da defesa trazer um fato novo. Ela (a mãe da menina) está abalada e deprimida. Uma possível acareação a colocaria frente a frente com um dos autores da morte de sua filha, o que implicaria em graves prejuízos psicológicos", disse Cembranelli ao deixar o Fórum de Santana.

20h28 - Casal Nardoni deixa o fórum

20h53 - O pai de Anna Carolina Jatobá, Alexandre Jatobá, deixa o Fórum de Santana com um terço enrolado nas mãos. Mesmo aparentando revolta e desespero, ele mostrou confiança na saída após o terceiro dia de julgamento da morte de Isabella Nardoni. "As coisas vão mudar e aí eu quero ver qual será a posição de cada um vocês", disse a alguns jornalistas presentes na saída.

O julgamento será retomado nesta quinta, a partir das 9h, com os depoimentos de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá.

Segundo o jurista Luiz Flávio Gomes, amanhã é um dia bastante decisivo. O interrogatório é muito importante para o convencimento dos jurados.

Não existe tempo determinado na lei para o interrogatório. Cada um pode durar horas e horas. Só depois do interrogatório do Alexandre Nardoni é que pode o juiz decidir sobre eventual acareação.

A perspectiva é de que tudo termina na próxima sexta-feira, no período da tarde.

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