23 de mar de 2010

Caso Nardoni: 2º dia do julgamento

23 de março de 2010 - 2º dia

8h35 - Alexandre Nardoni acaba de chegar ao Fórum de Santana para o segundo dia de julgamento. Jatobá chega em seguida.

9h - Avó materna critica decisão da Justiça de deixar Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella, incomunicável.

Montagem da maquete atrasa em 1 hora ocomeço do segundo dia de julgamento dos Nardoni.

10h21 - O advogado Roberto Podval, que defende o casal rebateu as críticas por ter pedido que Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella e arrolada como testemunha de acusação, ficasse à disposição da Justiça.

Primeira testemunha a ser ouvida é a delegada Renata Pontes.

10h17 - Promotor utiliza maquete durante o interrogatório da delegada Renata Pontes. É a primeira vez que este recurso é utilizado em um julgamento.

(A partir dos depoimentos do jurista Luiz Flávio Gomes, que está acompanhando o julgamento ao vivo)

10h20 - A primeira notícia que chegou na delegacia foi de roubo, mas a delegada logo percebeu que não foi queda acidental, porque a criança aparentava esganadura. Tinha poucas lesões. Tinha lesão na testa.

10h25 - "Descobri que nada tinha sido substraído. Suspeitei que não era latrocínio, sim, homicídio. Em cada dia de investigação fui formando minha convicção como delegada. Me convenci 100% de que os dois foram os autores. Só procurei buscar a verdade, como policial. Não assisti TV e nem internet. Meu respeito é com a vítima".(Depõe a delegada).

10h44 - Começam as rperguntas do promotor, Dr. Cembranelli, que pediu os volumes originais do caso.

10h46 (Continua depoimento da delegada):A criança parecia um "anjinho" deitado. Fiz vários contatos com o médico legista e ele confirmou asfixia e traumas da queda. O porteiro foi ouvido e era suspeito da autoria. Todos os suspeitos indicados por Alexandre foram ouvidos..."

10h56 - Alexandre disse no dia que tinha "bandido" no prédio.

11h02 - Esgotei todas as hipóteses de investigação. Só descobri e me convenci do homicídio.

11h08 - Os acusados recusaram - se participar da reconstituição do crime, p/ não fazer prova contra eles.

11h11 - Não é verdade que eu segui uma só linha de investigação. Sempre tratei os acusados com respeito.

11h15 - Dr. Cembranelli faz perguntas sempre de forma tranquila, não fala alto. Está mantendo seu estilo.

11h20 - Determinei perícias no muro e no prédio e nada achei de relevante.(continua a delegada).

11:29: Dr. Cembranelli se aproxima da maquete. Os jurados se levantaram. O defensor também.

11h32 - Havia gotinhas de sangue da porta de entrada do apartamento até o quarto e até a janela. os peritos utilizaram o produto "bluestar" (reagente químico eficiente) para detectar sangue no apartamento. Havia sangue numa fralda e também no carro.

11h41 - Nunca os acusados disseram que haviam derrubado alho ou nabo ou cenoura ou banana no apartamento.

11h45 - Houve perícia da "pegada" de chinelo e da camiseta de Alexandre.

11h47 - A perícia encontrou faca e tesoura no apartamento, na cozinha. Aparentavam manuseio recente. Constatou-se uma fibra da tela na tesoura.

11h55 - Moradores do apartamento do prédio vizinho ouviram vozes vindas do apartamento dos Nardoni. Era uma discussão. A mulher gritava e falava muitos palavrões.

11h58 - Os jurados olham a maquete com total interesse. Se levantam e se aproximam da parte traseira da maquete.

12h15 - Começam as perguntas da dra. Cristina, assistente da acusação.

12h16 - ( continua a delegada) Confirmo que uma testemunha afirmou ouvir uma criança dizendo "papai, papai".

12h28 - o juiz suspendeu os trabalhos, que são retomados às 12h40, já com o Dr. Podval para começar as perguntas.

12h45 - Dra. Renata continua respondendo às perguntas sem nenhuma hesitação. Os réus continuam estáticos.

12h59 - Não havia a mínima possibilidade de constatar sangue na chave do apartamento. Não foi feita perícia na chave.

13h30 - Dr. Podval (defesa) afirma que vários exames posiveis não foram feitos na tesoura e na faca.

13h31 - As marcas de sangue eram de Isabella, segundo o DNA. Não havia sangue da Isabella na roupa de Alexandre. Não se sabe de quem era o sangue na fralda. Li os laudos mas não tenho compressão técnica pericial.

13h45 - Dr. Podval dá a entender que vai explorar muito a parte pericial. Para ele, os laudos não são conclusivos.

13h52 - (continua a delegada) Não achei estranha a suspeita contra os pais de Isabella. Outros casos já existiram.

13h56 - Não se sabe quem usou a tesoura, só se sabe que foi um adulto.

14h09 - Não há prova de sangue na roupa de Jatobá.

Após quatro horas e trinta minutos, termina o depoimento da delegada Renata Pontes, mas ela não é dispensada.

Pausa para o almoço. O próximo a ser interrogado deverá ser o médico do Instituto Médido Legal (IML), Paulo Sérgio Tieppo Alves.

15h45 - Com o depoimento do médico do Instituto Médido Legal (IML) Paulo Sérgio Tieppo Alves, que realizou a perícia no corpo de Isabella e constatou que tinha sinais de asfixia.

Legista Tieppo confirma que morte foi causada por politraumatismo +asfixia por constrição.

O juiz questionou sobre os sinais externos de asfixia que ele percebeu e ele disse que foi a congestão da face, cianose e protusão da língua. A posteriore pelas fotos da necropsia, outras lesões foram percebidas .

Sinais internos: havia um conjunto de lesões decorrentes de traumas da queda e da asfixia.

Asfixia: sangue na musculatura do pescoço, atrás e ao lado em pontos típicos da asfixia ( lado direito) que são sinais específicos da esganadura.

Mais sinais de asfixia : Petéquias no pulmão e coração, sangue escuro fluído, vômito nas narinas e na camisa de Isabella.

Pelo exame histopatológico foi descoberto também vômito no pulmão. O legista esclareceu que todos possuimos um nervo vago e um dos efeitos da compressão desse nervo é o vômito .

Lesôes compatíveis com a queda:

Externa somente escoriações

Internas: lesões decorrentes da desaceleração , do impacto dos orgãos contra os ossos, infiltrados hemorrágicos, sangue entre músculos. Lesões de contra golpes nos pulmões. Sangue nos tecidos da caixa toráxica. Contusões no fígado , estômago .

Havia outro conjunto de lesões que não se encaixavam nos outros:
Testa , boca , punhos, equimoses na palma da mão, escoriações punho na parte da frente , fratura do rádio ( fratura impactada ), osso encavala para dentro do braço, fratura de osso da bacia ( fratura linear incompleta), períneo com equimose e esgarçamento e equimose nas nádegas.

Nenhuma dessas lesões eram compatíveis com asfixia ou a queda do sexto andar, concluiram em conjunto dos três peritos que ela teve uma queda sentada também. Lesão típica de queda da própria altura.

O juiz questionou se essa conclusão era dele. O legista respondeu que não , que está descrito em vasta literatura nacional e internacional.

Referente a fratura da bacia, após estudo e conferência com outros profissionais, chegou-se a conclusão que a mesma não era condizente com a queda do sexto andar, nem com queda da própria altura, pois a fratura era linear incompleta revelando que alguém a teria projetado contra o chão.

A lesão na testa não era decorrente de nenhuma das 3 ações acima e na cavidade bucal também não , descompressão da boca .

Questionado pelo juiz sobre a causa mortis o legista afirma asfixia e politraumatismo.

O promotor questiona se os exames complementares são os descritos em folhas 633, ele confirma que sim, que são os exames de histologia, sexologia, toxicologia , radiologia e patologia. Que as amostras estão disponíveis desde a confecção dos exames.

O promotor apresenta 11 livros ao legista e questiona sobre os sinais de asfixia e se haviam os mesmos em Isabella , sendo todos os sinais confirmados pelo legista.
Foi apresentado uma foto dos pulmões da Isabella aos jurados para demonstrar o que eram as petéquias.

Legista explica que Isabella sofreu muito antes de morrer, durante as agressões antes da queda e ao ser jogada pela janela.

Foram apresentados fotos antes e pós morte para demonstrar como foi feita a reconstrução da arcada dentária, que serviu para apurar como foram feitas as lesões no interior bucal.

Nesse momento a avó de Isabella, Dona Rosa saiu da sala muito nervosa ao ver as fotos do cadáver da neta. Os acusados permanecem imóveis.

O legista ainda frisou que conversou com a médica de plantão naquela noite e que ela informou que as manobras de ressucitação feitas em Isabella foram externas, não podendo ocasionar tais lesões na boca.

O legista por fim esclarece que a esganadura só ocasionaria fratura no osso hioide nos individuos adultos, pois so calcifica dos 25 aos 30 anos. Em crianças esta fratura é muito rara.

Termina o depoimento do médico legista Paulo Sérgio Tieppo Alves. Em seguida será interrogado o perito Luiz Eduardo Dorea.

A testemunha de acusação Luiz Carvalho, que a promotoria não havia divulgado a profissão, é o perito criminal e jornalista Luiz Eduardo Carvalho Dorea, mais conhecido como Luiz Eduardo Dorea, autor de vários livros e ex-diretor da Polícia Técnica da Bahia.

Perito deu uma aula sobre dinâmica e morfologia das gotas. Ficou muito claro porque a certeza dos movimentos de Alexandre carregando Isabella.

O depoimento do perito terminou após pouco mais de 30 minutos. Foi o mais rápido até agora do julgamento.

O segundo dia do julgamento foi encerrado.

20h38 - Advogado de defesa e Promotor deixam o tribunal.

Em seguida, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá deixaram o Fórum de Santana para dormir nas mesmas carceragens do primeiro dia de julgamento.

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