23 de jan de 2011

Tragédia em Nova Friburgo

Meus amigos, embora esse não seja o espaço ideal para coisas tristes, não há como não comentar sobre a tragédia ocorrida na Região Serrana, em especial, na minha cidade, Nova Friburgo.

Dia 11/01/11 - um prédio de 3 andares desaba no bairro Olaria, na parte da tarde, atingindo outras casas e vitimando pessoas. Toda a cidade volta os olhares para aquele bairro, que parecia anunciar uma tragédia maior que estava por vir. Várias autoridades aparecem no local.

Durante toda a noite, e madrugada do dia 12, a chuva não deu trégua. Choveu pesado, muito mesmo. Acordei duas vezes durante a madrugada. Aqui em casa amanhecemos sem energia, sem telefone fixo ou celular. Começamos a ficar apreensivos com o trânsito de helicópteros, que já começavam a sobrevoar a cidade. Vizinhos estavam indo para o meio da rua, e rodinhas se formavam. Parece que não tinha sido uma simples chuva. E, de fato, não foi.

Eu e meu marido resolvemos conferir de perto. Ao chegarmos ao portão, já visualizamos a barreira que havia caído em nossa rua, na altura do ponto final do ônibus, que já nos isolava do centro da cidade. Moradores improvisaram passagem p/pedestres, e logo, motos já poderiam passar de cá p/lá. Foi quando e meu marido, através de um vizinho, tomamos conhecimento de que o centro da cidade teria vindo abaixo. Como assim? O centro da cidade? Praticamente impossível acreditar, mas constatamos ser verdade, dois dias depois, quando ainda sem comunicação com o restante do mundo, e ainda sem energia, os próprios moradores tomaram a iniciativa de abrir uma brecha maior em meio à barreira, para possibilitar a passagem de carros pequenos.

Eu estava muito preocupada em dar notícias aos meus pais, e eles também estavam muito preocupados aqui conosco, pq por um verdadeiro milagre (ou por boa estrutura), em 3 casas aqui na rua não entrou água nenhuma. Uma delas, onde eu moro.

À medida em que íamos passando pela cidade, mais o queixo caía. Meu Deus, a cidade estava de cabeça p/baixo, ou melhor, coberta de lama e sujeira. Pela avenida visualizamos a Praça do Suspiro, e a Igrejnha de Santo Antonio havia acabado. A cidade toda estava um caos, essa é a verdade.

Quando cheguei no apartamento do meu pai, alívio geral. Agora era a vez de contactar a sogra, no RJ. Ao conseguir contactá-la, outro alívio.

Para encurtar o assunto, desde o dia 12, religiosamente até a madrugada, me coloquei na frente desse micro recebendo, colhendo e repassando informações. Imagine uma cidade com quase 400 mortos e mais de 100 desaparecidos, como não estaria afligindo tantas famílias!

Não sei de onde tirei tanta resistência para vencer o cansaço, a dor no cotovelo e a LER que ameaçava voltar, mas não voltou. Não era e nem é o momento p/isso.

A mídia internacional já foi embora. A nacional, que não tem afiliada por aqui, tb. A Região Serrana já não é mais o foco da notícia, mas o povo que sobreviveu e perdeu tudo, assim como mães sem filhos e filhos sem mãe, continuam dependendo da solidariedade de todos. O quadro é caótico e estamos muito longe do fim!

Embora a presidente Dilma tenha vindo conferir de perto o caos, e demais autoridades também tenham vindo, ou ainda estejam por aqui, já começo a ouvir que algumas promessas que foram feitas no calor da emoção, já estão sendo reconsideradas.

A cidade tenta voltar a uma estranha normalidade que não existe. A euforia trágica de levantar o astral dos fribuguenses ainda não foi suficiente para amenizar a dor, a sujeira, a poeira e o mau cheiro, que toma conta da cidade.

Mas nós vamos vencer! Vamos reeguer essa cidade!

Força, Nova Friburgo! Vamos em frente! E que Deus nos abençoe!

Um comentário:

  1. Obrigado pelo articulo... Estou muito preocupada ja que nas imagens de televisao e fotos na web nao vejo muita ajuda de parte das autoridades...

    Como forma de compartilhar experiencia, depois do terremoto/maremoto daqui no Chile passamos muitos dias/semanas sentindo que toda essa tortura ia ser eterna!!! Aqui a terra treme sempre, só que devagarzinho, mas quando nao pára logo ou é mais forte o medo volta, mas sinto que o medo cada vez é menor... Por outro lado, a propia populacao continua levantando as cidades caídas e "comidas" pelo mar... só que com muito mais cuidado!!!
    Forca, fé e muita energía!!!
    Do Chile com amor... Fernanda Toro

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