14 de out de 2010

Perplexidade

No último final de semana, feriadão prolongado, Nova Friburgo recebeu a OREM (Olimpíada Regional de Medicina). Quase 10.000 estudantes de medicina, de 21 faculdades do estado do RJ e MG chegaram na cidade a partir da sexta-feira, 08, para as disputas esportivas durante o dia e os agitos a noite.

Que bom para a cidade, não? Não, não foi! 90% do que se noticiou sobre o evento só aponta para o vandalismo dos futuros médicos, que por aqui chegaram: embriaguez, indícios de uso de ilícitos, perturbação à ordem pública de todas as formas possíveis e imaginárias, enfim... um filme de terror para os moradores próximos aos alojamentos desses estudantes e ao locais dos eventos. Inclusive, um morador do bairro Paissandú, no limite da sua paciência, chegou a fazer uma besteira e atingiu um estudante na perna, com um tiro de raspão. Por não ter porte de arma, e pela mesma ter numeração raspada, este senhor encontra-se encarcerado e responderá processo, certamente. O jovem baleado também responderá por perturbação da ordem pública e por ato obsceno, se não me engano.

Bom, o responsável pela articulação, que culminou na vitória da cidade para a vinda do evento p/cá, o vereador Marcelo Verly, chegou a se pronunciar ontem na rede social orkut, onde ponderou sobre as questões positivas do evento, como a geração de empregos temporários, 100% da ocupação da rede hoteleira, comércio aquecido etc.

Pesando na balança, valeu a pena? Na minha avaliação pessoal, não. Entendo que para considerarmos um possível retorno desse evento à cidade, pelo menos 50% dos municípes deveriam ter externado suas opiniões de forma positiva. E como citei acima, pelo que tenho acompanhado, o índice de rejeição ao evento foi de 90%. E como o princípio democrático aponta pelo respeito às decisões da maioria, a OREM perdeu em Nova Friburgo.

Apoio a Eventos para a Cidade

O meu posicionamento à vinda do evento para a cidade, ainda no meio do ano, foi favorável, porque considerei que a OREM repetiria o saldo positivo dos Jogos Jurídicos, que também vieram esse ano para Friburgo, sem maiores transtornos.

Levei em consideração também que receberíamos pessoas com uma boa conduta social (jovens de boa educação e atletas). Aliás, a minha perplexidade está aí: como pessoas de uma privilegiada classe social se comportam de forma tão selvagem? Como é que amanhã esses futuros médicos, que certamente estarão desfrutando de boa gastronomia e bons eventos sociais (bem longe da baderna que promoveram) estarão aí formando a opinião da sociedade, cobrando consultas altíssimas de seus clientes e estarão acima do bem e do mal, palestrando por aí afora, em escolas e na TV, sobre a importância de se ter uma qualidade de vida e todo aquela história que a gente já conhece? Isso me espanta.

Também não posso deixar de considerar amigos de infância que seguiram para essa área, e mantiveram a mesma boa conduta familiar durante e depois da conclusão de seus cursos.

A culpa é de quem?

Eu fui incompreendida por uns e compreendida por outros, que entenderam o meu ponto-de-vista, e externaram suas opiniões muito parecidas com as minhas.

Apontar o vereador como culpado, nem eu, nem meu marido vimos a coisa por esse lado. Culpá-lo seria atribuir a ele estar conivente e ciente de que esses jovens iriam soltar rojões, andarem seminus por aí, conforme alguns relatos. Ninguém é doido de, em plena consciência, trazer um evento para a cidade que pudesse ter um saldo muito mais negativo, do que positivo. Não creio.

Responsável? Sim. A mesma responsabilidade assumida por ele em articular a vinda do evento, também é pelo saldo negativo. E, a meu ver, ele deveria ir buscar explicações junto aos organizadores do evento, porque quando a gente organiza um evento, nós apresentamos uma série de intenções, que serão consideradas de acordo com a estrutura da cidade; e ações, que são imprescindíveis para que qualquer evento aconteça e cause o mínimo de transtorno possível, ou seja, quesito segurança, que pelo que se evindencia, foi o que falhou. E também acatar a decisão da sociedade, em não mais acolher a OREM em Nova Friburgo, o que considero como ponto principal.

Esse episódio da OREM me deixa várias reflexões:

O que nos reserva o futuro, no quesito educação? Teremos profissionais bárbaros ou bárbaros profissionais?

O respeito ao próximo e às condutas sociais perderam força na sociedade moderna?

Nova Friburgo está preparada para receber tantas mil pessoas, com a atual logística de que dispõe a cidade atualmente?

Para mim, em especial, fica a lição de que antes de apoiar um evento, vale a consulta sobre a conduta desse. Ressalto que apoiei a iniciativa da vinda de um evento que contribuisse de forma positiva para a cidade, e para a sua população. Não baderna, que já é algo pelo qual não compactuo no meu dia-a-dia. Uma pessoa que fala gritando já me deixa tonta!

Enfim, nem tudo que reluz é ouro. E nesse caso, o metal reluzente era o que de menor valor tinha.

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